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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Como se Elabora uma Resenha

Resenhar significa fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar
cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem..
O objeto resenhado pode ser um acontecimento qualquer da realidade (um jogo de
futebol, uma comemoração solene, uma feira de livros) ou textos e obras culturais (um romance, uma peça de teatro, um fIlme).
A resenha, como qualquer modalidade de discurso descritivo, nunca pode ser
completa e exaustiva, já que são infinitas as propriedades e circunstâncias que envolvem o objeto descrito. O resenhador deve proceder seletivamente, fIltrando apenas os aspectos pertinentes do objeto, isto é, apenas aquilo que é funcional em vista de uma intenção previamente definida.
Imaginemos duas resenhas distintas sobre um mesmo objeto, o treinamento dos
atletas para uma copa mundial de futebol: uma resenha destina-se aos leitores de uma coluna esportiva de um jornal; outra, ao departamento médico que integra a comissão de treinamento. O jornalista, na sua resenha, vai relatar que um certo atleta marcou, durante o treino, um gol
olímpico, fez duas coloridas jogadas de calcanhar, encantou a platéia presente e deu vários autógrafos. Esses dados, na resenha destinada ao departamento médico, são simplesmente desprezíveis.
Com efeito, a importância do que se vai relatar numa resenha depende da finalidade a
que ela se presta.
Numa resenha de livros para o grande público, leitor de jornal, não tem o menor
sentido descrever com pormenores os custos de cada etapa de produção do livro, o percentual de direito autoral que caberá ao escritor e coisas desse tipo.
A resenha pode ser puramente descritiva, isto é, sem nenhum julgamento ou
apreciação do resenhador, ou crítica, pontuada de apreciações, notas e correlações estabelecidas pelo juízo crítico de quem a elaborou.

A resenha descritiva consta de:
a) uma parte descritiva em que se dão informações sobre o texto:
• nome do autor (ou dos autores);
• título completo e exato da obra (ou do artigo);
• nome da editora e, se for o caso, da coleção de que faz parte a obra;
• lugar e data da publicação;
• número de volumes e páginas.

Pode-se fazer, nessa parte, uma descrição sumária da estrutura da obra (divisão em capítulos, assunto dos capítulos, índices, etc.). No caso de uma obra estrangeira, é útil informar também a língua da versão original e o nome do tradutor (se se tratar de tradução).

b) uma parte com o resumo do conteúdo da obra:
• indicação sucinta do assunto global da obra (assunto tratado) e do ponto de vista
adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom, etc.);
• resumo que apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.
• Na resenha crítica, além dos elementos já mencionados, entram também comentários
e julgamentos do resenhador sobre as idéias do autor, o valor da obra, etc.

TEXTO COMENTADO

MEMÓRIA - ricas lembranças de um precioso modo de vida
O Diário de uma garota (Record. Maria Julieta Drummond de Andrade) é um texto que
comove de tão bonito. Nele o leitor encontra o registro amoroso e miúdo dos pequenos nadas que
preencheram os dias de uma adolescente em férias, no verão antigo de 41 para 42.
Acabados os exames Maria Julieta começa seu diário anotado em um caderno de capa dura
que ela ganha já usado até a página 49. É a partir daí que o espaço é todo da menina que se
Universidade Severino Sombra – Central de Estágios de Licenciatura e Bacharelado (CELBS)

propõe a registrar nele os principais acontecimentos destas férias para mais tarde recordar coisas
já esquecidas.
O resultado final dá conta plena do recado e ultrapassa em muito a proclamada modéstia do
texto que ao ser concebido tinha como destinatária única a mãe da autora a quem o caderno
deveria ser entregue quando acabado.
E quais foram os afazeres de Maria Julieta naquele longínquo verão? Foram muitos.
pontilhados de muita comilança e de muita leitura: cinema, doce-de-Ieite, novena, o Tico-Tico.
doce-de-banana, teatrinho, visita, picolés, missa, rosca, cinema de novo, sapatos novos de
camurça branca, o Cruzeiro, bem-casados, romances franceses, comunhão, recorte de gravuras,
Fon-Fon, espiar casamentos, bolinho de legumes, festas de aniversário, Missa do Galo, carta para
a família, dor-de-barriga, desenho de aquarela, mingau, indigestão... Tudo parecia pouco para
encher os dias de uma garota carioca em férias mineiras das quais regressa sozinha de avião.
Tantas e tão preciosas evocações resgatam do esquecimento um modo de vida que é hoje
apenas um dolorido retrato na parede. Retrato entretanto que, graças à arte de Julieta, escapa da
moldura, ganha movimentos, cheiros, risos e vida.
O livro, no entanto, guarda ainda outras riquezas: por exemplo, o tom autêntico de sua
linguagem que se, como prometeu sua autora, evita as pompas, guarda não obstante o sotaque
antigo do tempo em que os adolescentes que faziam diários dominavam os pronomes cujo/a/os/as
conheciam a impessoalidade do verbo haver no sentido de existir e empregavam, sem pestanejar,
o mais-que-perfeito do indicativo quando de direito...
Outra e não menor riqueza do livro é o acerto de seu projeto gráfico aos cuidados de Raquel
Braga. Aproveitando para ilustração recortes que Maria Julieta pregava em seu diário e
reproduzindo na capa do livro a capa marmorizada do caderno com sua lombada e cantoneiras
imitando couro, o resultado é um trabalho em que forma e conteúdo se casam tão bem casados
que este Diário de uma garota acaba constituindo uma grande festa para seus leitores.
Marisa Lajolo
JORNAL DA TARDE - 18 jan 1986.
O texto é uma resenha crítica, pois nele a resenhadora apresenta um breve resumo da obra,
mas também faz uma apreciação do seu valor (exemplo, 1º período do 1º parágrafo, 3º
parágrafo). Ao comentar a linguagem do livro (6º parágrafo), emite um juízo de valor sobre ela,
estabelecendo um paralelo entre os adolescentes da década de 40 e os de hoje do ponto de vista
da capacidade de se expressar por escrito. No último parágrafo comenta o projeto gráfico da obra
e faz uma apreciação a respeito dele.
No resumo da obra, a resenhadora faz uma indicação sucinta do conteúdo global da obra
("registro amoroso e miúdo dos pequenos nadas que preencheram os dias de uma adolescente
em férias, no verão antigo de 41 para 42"), mostra o gênero utilizado pela autora (diário) e, depois,
relata os pontos essenciais do livro (um rol dos pequenos acontecimentos da vida da adolescente
em férias).
A parte descritiva é reduzida ao mínimo indispensável. Apenas o título completo da obra, a
editora e o nome da autora são indicados.
Estamos diante de uma resenha muito bem-feita, pois se atém apenas aos elementos
pertinentes para a finalidade a que se destina: informar o público leitor sobre a existência e as
qualificações do livro.

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